segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Lyon - parte 2

Continuando com uma curiosidade ou cultura útil: Quem for atencioso, vai reparar que na França existem muitos prédios com as janelas tapadas, como na foto abaixo. 


Durante a Revolução Francesa, foi criado um imposto sobre portas e janelas. Foi a maneira que os revolucionários encontraram para fazer os mais ricos pagarem mais impostos. Só que os proprietários  nada bobos, fechavam as janelas para economizar uma graninha.



Traboules. Já ouviu falar? Não é de comer. Eu jamais ouvi isso antes de ir pra Lyon. Os traboules são as passagens secretas que fazem a fama da cidade. A grande maioria esta na Velha Lyon, mas, como o divertido é encontra-los, eu não vou falar onde eles estão (mas deixo o link para quem quiser imprimir o mapa). Essas passagens secretas existem desde que os imóveis foram construídos  ou seja, desde a Idade Média, e servem para ligar os prédios de uma rua à outra. Gênio quem teve a ideia de abrir passagens para driblar os quarteirões imensos e os prédios coladinhos, característicos da Velha Lyon. Difícil é conseguir reconhecê-los. Alguns traboules são privados, mas muitos são públicos. Uma porta rústica pode ser o sinal de que atrás dela existe um traboule. Outra dica é observar por alguns minutos para ver se entra ou sai muita gente. Tem certeza que não esta invadindo a propriedade alheia? Então entre, caminhe por eles e aproveite o ambiente misterioso para imaginar como era a vida por alí há centenas de anos. Fotografe, admire, mas, por favor, fale baixo! Os apartamentos são todos habitados e os moradores só topam abrir as portas para os turistas porque recebem benefícios da prefeitura. Eu achei um máximo esse jogo de achar traboules e assim que achava ia me enfiando por lá com o Noah, pena que muitas não são totalmente abertas então é preciso voltar por onde entramos.
A palavra traboule é lionesa e serve para descrever algo que so existe lá. Isto também vale para o Guignol, o mascote da cidade. É inevitavel não cruzar o bonequinho em algum lugar ao bater pernas pelo Vieux Lyon. 

Guignol foi criado por Laurent Mourguet em 1808. O cara era dentista e, como todos os dentistas da época, inventava historias para distrair os seus pacientes e diminuir a dor que eles sentiam enquanto lhes arrancava os dentes. A expressão francesa "mentir como um arrancador de dentes" vem lá do século XVII. Foi neste clima que ele criou o Guignol, o personagem principal de um teatro de marionetes, dono de um humor típico lionês. Ele fez e faz tanto sucesso na França e no mundo que tem até programa de TV inspirado na malandragem do bonequinho. Uma marionete de Guignol é uma das coisas mais tipicas que você pode levar de lembrança para casa. 






Para continuar no vocabulário lionês, vamos falar dos bouchons - os restaurantes típicos de Lyon. Dizem que é a capital mundial da gastronomia e que é uma das maiores concentrações de restaurantes por habitantes na França. Muitas opções e também muita porcaria. A culinária tipica lionesa (intestino de porco, estômago de boi e linguiça de miúdos, por exemplo) é servida em restaurantes chamados de bouchons. A Velha Lyon está cheia deles para você se deliciar, ou não. Eu não topo esse tipo de coisa, embora nas viagens sempre queira experimentar algo. A dica é procurar pelo selo "Authentiques bouchons lyonnais", que reconhece os restaurantes mais típicos e antigos da cidade. 


Foto:  Eloá Chaignet


Foto: Nicolas Chaignet
Eu preferi ficar em uma coisa mais tradicional e fiz uma visita no les Halles vi muuuita coisa de patisserie e macarons, passando por frios e queijos queijos queijos e açougues com variados tipos de carnes.
queijos! por Nicolas Chaignet
Gostei muito de ter experimentado quenelle que é típico de Lyon, mas sem partes exóticas suínas ou bovinas. A quenelle parece um gnochi grandão, e tem peixe, ou no caso da que eu comi, noix de saint jacques que é o bichinho que mora dentro da concha que é símbolo dos postos shell. É servido com um suculento molho e me agradou bastante.




Como sempre, faltaram coisas que eu costumo dizer que é o gostinho de quero mais necessário para querer voltar. Lyon tem muita coisa de dança e eu não vi absolutamente nada, a noite ficou por conta dos bebês na casa, quando o filhote desmamar a gente volta pra ver o lado B de Lyon. E claro, comer muito brioche praliné no café da manhã.
Foto: Nicolas Chaignet

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