sábado, 14 de setembro de 2013

Lyon - parte 1

Eu fui surpreendida por Lyon, aliás sempre me surpreendo com alguns lugares pelo simples fato de não ter expectativas sobre.
O tempo era curto, o intuito da viagem era conhecer uma parte da família que está brotando, essa galerinha nascida em 2012, foi uma apresentação de priminhos, mas que me permitiu um tour e eu gostei bastante. Tenho certeza que faltou muita coisa no roteiro, porém do que foi possível conhecer e visitar já valeu a pena, a boa impressão da cidade e de sua história beeeem antiga foram muito positivas, já o povo de lá são outros quinhentos, vaga no ônibus por estar carregando um bebê? Nananinanão, todo mundo fingindo não te ver, sem contar um certo ar de superioridade que na verdade parecia mais um ar interiorano de olhar todos de cima a baixo, olhar que tudo repara, e no caso deles compara e julga, tirando isso (que pode ter sido apenas uma impressão) Lyon é bacana.

Programa com pequenos e para pequenos foram parquinhos, onde rolou uma socialização legal, encontramos uma menininha muuuito falante e fofa e numa outra vez um garotinho com seu carrinho de bebê, Noah gostou e brincou com o carrinho, eu gostei de não ter sexismo com um brinquedo que aqui é visto como estritamente de meninas, francamente, isso é uma palhaçada, esses conceitos tem que evoluir. 
Foto: Nicolas Chaignet

Para os pequenos também fomos ao grande parque tête d'or, uma área verde gigantesca que foi um pique nique familiar totalmente falido graças a um bourdon que picou meu filho e me deu uma certa dor de cabeça. É uma espécie de abelha gigante e peludona, temi por alguma reação, mas por sorte tudo correu bem, tivemos a enorme sorte de neste mesmo dia ser o dia da campanha mundial de doação de sangue e ter uma grande tenda por lá com médicos que foram muito solícitos conosco. Meu filho estava inconsolável, segundo o médico dói mesmo, mas depois passou pra acalmar o coração de mãe aflitíssimo, que temia uma reação. 

O parque é bacana e teria sido muito legal se não fosse por isso, é uma quinta da boa vista maior ainda, com lagos, zoo, jardim botânico, trenzinho e deve ter mais coisa que não vimos.
Já nos passeios e descobertas culturais muita coisa legal, Lyon respira história e no velho Lyon sente-se um gostinho de tempo longínquo. Esse pedaço é bem interessante e me lembrou da minha amiga Fabiana louca por medievalidades que por lá estavam bem presentes.

Loja medieval. Foto: Nicolas Chaignet 

Nessa loja tinha orelha de elfo, só não trouxe pra Fabi
 porque o euro tava na casa das 3 DilmasFoto: Nicolas Chaignet

Abrimos mão dos museus e nos concentramos nos cantos da cidade.
Em termos de igreja perdi as contas de quantas visitei, muito lindas e cheias de história. A principal é a Fourvière, com disposição se vai a pé, mas acho que com pequenos e até mesmo sem eles vale a pena pegar o funiculaire e subir no topo da colina onde fica a igreja de Notre Dame de Fourvière. Cinco minutinhos de uma subida íngreme sobre um trilho que existe desde 1900. Um charme! 

Do mirante da basílica construída no topo da colina, tem a vista mais legal da cidade: Lyon quase inteira e, sem precisar forçar muito a vista, o Mont Blanc lá no horizonte. Óbvio que vai depender da visibilidade do dia, fui duas vezes e na primeira o tempo virou quando chegamos lá em cima, vento demais e chuva! Mas na segunda vez tudo bem. Por ter sido construída numa colina, ela tem uma arquitetura imponente. Andar pelo centro da cidade sem se impressionar com o tamanho dela? Esquece, não vai rolar. 

Por dentro é aquilo que a gente já sabe: a Igreja Católica querendo se mostrar. Mosaicos enormes pelas paredes, muitas imagens e também outras igrejas. Isso mesmo, outras igrejas! Além da principal, existe uma embaixo dela e outra logo ao lado, a do lado é uma pequenina capela e a debaixo é uma igreja bem diferente do que já vi, aliás uma coisa interessante que observei é que por aqui no Brasil usam os ex-votos pra agradecer uma graça, um pé de cera, uma cabeça etc e tal, lá usava-se, pois as datas eram beeem passadas colocar uma placa tipo lápide de túmulo nas paredes da igreja ou no fundo de onde fica uma imagem com algo do tipo: agradecimento ao santo tal da família tal e o ano.
A colina de Fourvière também é importante porque foi la que começou Lyon que é muito velhinha, a cidade existe desde 43 a.C.. Um dos traços da civilização galo-romana que ainda esta por ali é o Teatro Romano, construído em 15 a.C..

E que eu pude ver com esses olhinhos que a terra há de comer ou o fogo de cremar, durante a descida a pé, pois funiculaire é bom pra subir, mas pra baixo todo santo ajuda, já dizia minha mãe.
Eu não sei o tipo de reação que alguém me lendo pode ter, mas eu fiquei bem chocada quando me dei conta de que aquelas rochas estão servindo de cenário para espetáculos há mais de dois mil anos. O mais legal é que o teatro é aberto, então o publico pode interagir com o passado sem gastar um único centavo. E quando eu digo interagir, não me refiro apenas aos picnics que da para fazer sentado ali. O teatro lota durante as Nuits de Fourvière, ou Noites de Fourvière, um festival que rola no verão e que estava rolando quando estivemos lá, até vimos a preparação do palco, mas em nome do pequeno não fomos, fica pra uma próxima.

Colina visitada, é hora de descer para a Velha Lyon, aconselho tomar o caminho das flores e quando acabar descobrir uma escadaria qualquer que leve até esse bairro medieval de Lyon, um dos mais bem conservados da Europa. Invasões, crises politicas e a necessidade de viver mais próximos ao rio, fizeram com que os habitantes fossem abandonando a colina para se instalar por ali. São três partes construídas em períodos diferentes que formam o que é hoje a região mais visitada da cidade.
O bairro é medieval, mas também é renascentista. Não é a toa que Lyon é conhecida como a capital da renascença francesa, pois é na Velha Lyon que a gente percebe claramente a influência italiana na arquitetura. Dizem que andar por ali é como estar em Veneza, mas no lugar dos canais existem pavimentos da idade média. Muito bizarro pensar no tempo que esse pavimento está lá.
Voltando as igrejas, nesse bairro tem a Cathedral de Saint Jean. Esta catedral, que começou sendo construída com um estilo romano em 1180 e só ficou pronta 300 anos mais tarde, com uma grande influência do estilo gótico, é a igreja mais importante de Lyon. E olha que por dentro ela nem é tão impressionante assim o altar nem deu pra ver, estava em obras e colocaram um tecido e projeções. Acontece que a sua historia é: durante as guerras de religião, ali por volta de 1560, ela foi totalmente danificada. Os santos que ornamentavam a fachada foram decapitados. Entre 1791 e 1793, durante a Revolução Francesa, o resto das estatuas foi destruído de vez. E, porque desgraça pouca é bobagem, em 1944, quando as tropas aliadas saíram bombardeando Lyon ao final da Segunda Guerra Mundial, alguns vitrais da catedral foram estraçalhados. 
Sanit Jean, vista da descida da Fourvière
Foto: Nicolas Chaignet

Lá tem um relógio astronômico construído em 1383 (portanto, um dos mais antigos da Europa). Uma época em que ainda acreditava-se que o sol girava em torno da terra. Porém só pude ver meio de longe pois um homem louco uns meses antes de nossa visita foi lá e golpeou o relógio com uma barra de ferro alegando que ele não permitia aos fiéis se concentrarem em suas orações devido sua magnitude. Pode isso, Arnaldo?
Pra falar de uma terceira igreja, vou falar da que eu mais gostei, uma igreja bem diferente por dentro e com vitrais que me impressionaram, lá tinha uma atmosfera legal, não sei explicar. E vi uma coisa curiosa, uma espécie de confissão com uma pessoa que não é da igreja, sinal dos tempos da solidão? Não sei, mas tinha alguém lá disposto a ouvir.
Saint Bonaventure Foto: Nicolas Chaignet

A igreja é a de Saint Bonaventure de 1220, serviu de lugar de comercio da revolução até 1803 segundo uma simpática velhinha que estava lá. O órgão dessa igreja é uma coisa de louco, valeu muito ter parada gay impedindo o trãnsito e nos obrigando a descer alí, caso contrário não iria ter conhecido.
Andamos muito mais e tem muito mais coisa pra contar, mas fica pra amanhã.

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