Pular para o conteúdo principal

Vida profissional X vida maternal

google




Já tinha um post escrito pela metade sobre essa divisão da vida entre a maternidade e uma carreira, mas soube da blogagem coletiva proposta pelo Femmaterna e me enchi de vontade de terminá-lo e compartilhá-lo nesse momento oportuno.

Esse assunto é bastante polêmico, pois a equação vida maternal + vida profissional = pessoa desgastada e se sentindo incompleta em ambas as atividades, além de uma insatisfação com o desempenho nos dois lados, pelo menos essa é a minha opinião e de outras mães que tentaram ou que ainda estão tentando conciliar a dupla jornada imposta pela nossa sociedade.

Porque pra sociedade vida de mãe é vida devassada. Pitacos, críticas e sugestões ficam numa caixa virtual ao lado como se fosse em um balcão de alguma empresa que te pede sugestões.
Nós, mulheres e mães não pedimos conselho algum, mas cansamos de ouví-los. Somos pressionadas a sermos boas mães, mas ao mesmo tempo o ser boa mãe pode ser bastante relativizado, não é comum saber ou até mesmo ter ouvido algo como: “coitada dessa criança, tão pequena já vai pra creche”, mas em contrapartida se a mãe decidir dar uma pausa na carreira para ser uma boa mãe com dedicação exclusiva, podemos facilmente ouvir coisas horríveis como: “só quer cuidar de filho, não quer trabalhar não” pra não dizer que está vagabundeando (nem vou entrar no mérito de quanto trabalho se tem pra educar uma criança), ou ainda: “ih vai virar amélia e depois não consegue voltar pro mercado”, essas são algumas das milhares de frases que podem ser colocadas na tal caixa de pitacos ao lado da mãe, óbvio que é da mãe, porque pai terá sempre elogio, se trabalha o dia todo é um coitado que vê pouco o filho, porque trabalha bastante para garantir seu futuro, se é um pai que agarra a paternagem com unhas e dentes é um exemplo de pai, nunca é tachado de nada pejorativamente.
Nós, mulheres e mães estamos sempre sob o crivo de uma sociedade machista e que só sabe, ainda que nem tenha a intenção (está tão arraigado, infelizmente), oprimir as mulheres, e se são mães mais ainda. O que quer que façamos é incompleto, jamais atenderemos os anseios de uma sociedade como a nossa, se fazemos o que se espera, que é o combo ser mãe incrível, mulher integra e profissional exemplar, com certeza alguma coisa sai perdendo, não é impossível conciliar, mas como propõe a blogagem é preciso dizer que não é nada fácil fazer essa conjugação de atividades. Assim como tem campanhas lindas de amamentação onde todo mundo é arrumadinho penteado etc e tal e isso não é real, os vários depoimentos de pessoas que conciliam profissão e ser mãe nos dão a impressão de que nós é que temos a tal defectividade que querem tanto que pensemos ter, e que nós não conseguimos, pois fulana de tal e a beltrana conseguem, olha o relato delas.
Então como sou uma pessoa real muito distante do ideal, até porque o ideal seria perfeito e perfeição e idealização eu deixo pra Platão, venho aqui dizer como foi e é na minha realidade o embate entre a maternagem e minha vida profissional. Como foi o choque entre elas e como lentamente estou deixando que as coisas tomem um caminho mais suave, entendendo que pausas são necessárias e que não nos fazem menos isso ou aquilo.

Por aqui foi e está sendo assim, como meu filho nasceu em casa eu nunca tinha ficado mais de 1h longe dele, só fiquei pra retirar um cisto no sacro quando ele tinha 29 dias (fiquei 2h longe dele). E eu sabia que ia ter que voltar ao trabalho com 6 meses, o que já é pouco, mas ainda assim mais do que em outros empregos (que dão apenas 4 meses), mas não gostava nem de pensar nisso, eu não fazia nada além de cuidar dele e tava muito bem assim, quando ele fez 6 meses começaram as papinhas que eu mesma fazia toda boba e fui agraciada com a greve dos professores o que me permitiu voltar somente quando ele tinha 7 meses e já tava introduzindo a alimentação sólida a noite, na jantinha. Como eu trabalhava algumas noites de 18 às 22h ele ficava com o pai que chegava por volta das 16h (o que nem todos tem a sorte) e eventualmente com a vó quando eu tinha reunião e ia mais cedo. No início, nas minhas primeiras semanas eu levava ele pra faculdade e o pai ficava com ele lá pra no intervalo eu dar de mamar, quando acabava o intervalo o pai ia com ele pra casa, faziam a festa de banho de balde e ele não dormia até eu chegar, as vezes ficava bem outras (a maioria) chorando, ele nunca aceitou a mamadeira, eu sofria de saber que ele não estava bem e que queria o colo da mãe dele. Eu xingava a demora dos ônibus e fazia tudo pra voltar o mais depressa possível, já chorei muito em ponto de ônibus com peito vazando esperando um ônibus que não passava nunca. Me mudei pra mais perto do trabalho, mas o sentimentos em mim não mudaram. Quando estava perto de completar um ano eu chegava em casa e ele já tava dormindo, dormia vendo videos com o pai. Na véspera do seu niver de 1 ano meu contrato acabou e resolvi viver com menos e bancar ficar com ele, pois não estava/estou disposta a entrar num trampo padrão de 8h por dia mais o deslocamento, acho que ele já vai ter uma vida toda na escola e a partir daí eu retomo uma atividade mais intensa e com mais tempo de dedicação , foram 6 meses de pausa total. Há um tempinho atrás dei aula particular de francês pra um colega do antigo trabalho pra prepará-lo pra prova do doutorado 1h e meia 1x por semana, pra ajudar no orçamento, e agora  desde setembro tô com projeto que desengavetei e coloquei na atividade o cria em movimento dança para gestantes, mães e bebês, apenas foquei nisso porque era um trabalho que era viável dentro dos meus anseios e desejos e que de quebra faz bem a mim e ao meu filho, pois ficamos juntos. Fiz essa escolha, pois se for pra trabalhar no horário padrão e gastar uma grana com creche, pois o governo não nos dá algo de qualidade e depois ir para pediatra e gastar com remédios e perder noites de sono com um bebê doente eu prefiro ficar com ele e viver com os cintos apertados em relação as despesas, acompanhar de perto cada passo, cada aprendizado, ser cúmplice de seu desenvolvimento. Pois como li uma vez eu serei mãe a vida inteira, mas meu filho só será bebê e criança uma vez só e passa muito rápido.



*este post faz parte da blogagem coletiva proposta pelo femmaterna com o intuito de criar uma ampla discussão sobre nosso modelo de vida e maternidade, deixei registrado meu relato desde a minha má conciliação, a não conciliação e atualmente os caminhos que busco, se você é uma mulher real e quer compartilhar sua relação de trabalho e maternidade escreva nos comentários com certeza estará ajudando outras mães.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Das perguntas: Papel higiênico, no vaso ou no lixo?

Eu vivo me fazendo perguntas e nem sempre tenho as respostas, essa pode parecer inusitada, mas sim, já pensei nisso e me surpreendi com o que descobri. Aqui no Brasil todo banheiro que se preze tem lixeira e muitos banheiros públicos tem a seguinte placa:
Em portugal encontrei a versão lusitana da coisa e acho que herdamos esse hábito deles, acho, porque não tenho a menor certeza.
Quando morei fora percebi a inexistência da nossa companheira lixeira, e vi que o papel era descartado no vaso sem o menor problema. Tenho por hábito seguir os hábitos e assim fazia, até porque fora da minha casa não havia essa opção, mas quando voltei continuei usando a lixeira nossa de casa dia. Tudo muito bom e muito bem até eu me casar com um "gringo" e ele me perguntou porque não colocávamos os papéis no vaso, de pronto mais que automatico e mecanicamente respondi: "Oras, porque entope!" Pouco depois pensei, mas na França não entopia... Será mesmo que entope? Ou fomos ensinados a usar is…

Aniversário de 1 ano diferente

Voltando ao assunto alegre do mês, que foi o niver do filhote, vou postar aqui algumas coisas referentes à comemoração, me recuso a dalar sobre Feliciano e as loucuras desse país, vou falar de coisa alegre.
Sou meio avessas as regras e as normalidades, o que as vezes não preenche as expectativas alheias, mas também não me preocupo com o que vao pensar falar etc e tal. Portanto, acredito que o primeiro aniversário nada mais é do que a comemoraçao dos pais pelo nascimento do filho, e no nosso caso meu filho e nós (papais babões) merecemos até mais que um dia de comemoraçao, pois o esperamos ansiosos por três dias como eu relatei aqui.


Na verdade os meus planos iniciais não foram completamente concretizados por interferencias da natureza porque choveu um pouco, da vô e tia. Mas em se tratando de um churrasco foi dificil ser sustentável, na medida do possivel separamos latinhas de cerveja e pets para o descarte e fizemos o docinho com copinho comestivel que sera a receita do pr…

Cardápio semanal, uma mão na roda no dia a dia

Estou sempre querendo escrever, mas tempo é coisa escassa, entre filho, trabalho e trabalho de casa, fica difícil. Mas depois que me mudei pra uma casa menor, com uma geladeira menor, resolvi fazer algo que sempre quis e que achava que me daria tempo que é o cardápio semanal. Quem nunca ficou olhando os armários e a geladeira com aquela interrogação na cabeça do que fazer pra comer. Quem nunca fica sem ideia do que cozinhar? Quem nunca sente aquela preguiça na hora que vem a pergunta: o que vamos comer? Sem contar quando você pensa em fazer um prato mas só tem alguns dos ingredientes... O cardápio semanal pra começar foi difícil, mas consegui!  O que eu fiz?  Primeiro abri um arquivo, porque nao sei mais escrever no papel, mas pode ser num papel e comecei um brainstorming ia escrevendo todos os pratos que gostamos, os que cozinhamos com certa frequência, aquele que a gente sempre esquece mas que quando faz é um sucesso, os pratos do dia a dia, os pratos que são únicos e dispensam acompa…