sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Vida profissional X vida maternal

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Já tinha um post escrito pela metade sobre essa divisão da vida entre a maternidade e uma carreira, mas soube da blogagem coletiva proposta pelo Femmaterna e me enchi de vontade de terminá-lo e compartilhá-lo nesse momento oportuno.

Esse assunto é bastante polêmico, pois a equação vida maternal + vida profissional = pessoa desgastada e se sentindo incompleta em ambas as atividades, além de uma insatisfação com o desempenho nos dois lados, pelo menos essa é a minha opinião e de outras mães que tentaram ou que ainda estão tentando conciliar a dupla jornada imposta pela nossa sociedade.

Porque pra sociedade vida de mãe é vida devassada. Pitacos, críticas e sugestões ficam numa caixa virtual ao lado como se fosse em um balcão de alguma empresa que te pede sugestões.
Nós, mulheres e mães não pedimos conselho algum, mas cansamos de ouví-los. Somos pressionadas a sermos boas mães, mas ao mesmo tempo o ser boa mãe pode ser bastante relativizado, não é comum saber ou até mesmo ter ouvido algo como: “coitada dessa criança, tão pequena já vai pra creche”, mas em contrapartida se a mãe decidir dar uma pausa na carreira para ser uma boa mãe com dedicação exclusiva, podemos facilmente ouvir coisas horríveis como: “só quer cuidar de filho, não quer trabalhar não” pra não dizer que está vagabundeando (nem vou entrar no mérito de quanto trabalho se tem pra educar uma criança), ou ainda: “ih vai virar amélia e depois não consegue voltar pro mercado”, essas são algumas das milhares de frases que podem ser colocadas na tal caixa de pitacos ao lado da mãe, óbvio que é da mãe, porque pai terá sempre elogio, se trabalha o dia todo é um coitado que vê pouco o filho, porque trabalha bastante para garantir seu futuro, se é um pai que agarra a paternagem com unhas e dentes é um exemplo de pai, nunca é tachado de nada pejorativamente.
Nós, mulheres e mães estamos sempre sob o crivo de uma sociedade machista e que só sabe, ainda que nem tenha a intenção (está tão arraigado, infelizmente), oprimir as mulheres, e se são mães mais ainda. O que quer que façamos é incompleto, jamais atenderemos os anseios de uma sociedade como a nossa, se fazemos o que se espera, que é o combo ser mãe incrível, mulher integra e profissional exemplar, com certeza alguma coisa sai perdendo, não é impossível conciliar, mas como propõe a blogagem é preciso dizer que não é nada fácil fazer essa conjugação de atividades. Assim como tem campanhas lindas de amamentação onde todo mundo é arrumadinho penteado etc e tal e isso não é real, os vários depoimentos de pessoas que conciliam profissão e ser mãe nos dão a impressão de que nós é que temos a tal defectividade que querem tanto que pensemos ter, e que nós não conseguimos, pois fulana de tal e a beltrana conseguem, olha o relato delas.
Então como sou uma pessoa real muito distante do ideal, até porque o ideal seria perfeito e perfeição e idealização eu deixo pra Platão, venho aqui dizer como foi e é na minha realidade o embate entre a maternagem e minha vida profissional. Como foi o choque entre elas e como lentamente estou deixando que as coisas tomem um caminho mais suave, entendendo que pausas são necessárias e que não nos fazem menos isso ou aquilo.

Por aqui foi e está sendo assim, como meu filho nasceu em casa eu nunca tinha ficado mais de 1h longe dele, só fiquei pra retirar um cisto no sacro quando ele tinha 29 dias (fiquei 2h longe dele). E eu sabia que ia ter que voltar ao trabalho com 6 meses, o que já é pouco, mas ainda assim mais do que em outros empregos (que dão apenas 4 meses), mas não gostava nem de pensar nisso, eu não fazia nada além de cuidar dele e tava muito bem assim, quando ele fez 6 meses começaram as papinhas que eu mesma fazia toda boba e fui agraciada com a greve dos professores o que me permitiu voltar somente quando ele tinha 7 meses e já tava introduzindo a alimentação sólida a noite, na jantinha. Como eu trabalhava algumas noites de 18 às 22h ele ficava com o pai que chegava por volta das 16h (o que nem todos tem a sorte) e eventualmente com a vó quando eu tinha reunião e ia mais cedo. No início, nas minhas primeiras semanas eu levava ele pra faculdade e o pai ficava com ele lá pra no intervalo eu dar de mamar, quando acabava o intervalo o pai ia com ele pra casa, faziam a festa de banho de balde e ele não dormia até eu chegar, as vezes ficava bem outras (a maioria) chorando, ele nunca aceitou a mamadeira, eu sofria de saber que ele não estava bem e que queria o colo da mãe dele. Eu xingava a demora dos ônibus e fazia tudo pra voltar o mais depressa possível, já chorei muito em ponto de ônibus com peito vazando esperando um ônibus que não passava nunca. Me mudei pra mais perto do trabalho, mas o sentimentos em mim não mudaram. Quando estava perto de completar um ano eu chegava em casa e ele já tava dormindo, dormia vendo videos com o pai. Na véspera do seu niver de 1 ano meu contrato acabou e resolvi viver com menos e bancar ficar com ele, pois não estava/estou disposta a entrar num trampo padrão de 8h por dia mais o deslocamento, acho que ele já vai ter uma vida toda na escola e a partir daí eu retomo uma atividade mais intensa e com mais tempo de dedicação , foram 6 meses de pausa total. Há um tempinho atrás dei aula particular de francês pra um colega do antigo trabalho pra prepará-lo pra prova do doutorado 1h e meia 1x por semana, pra ajudar no orçamento, e agora  desde setembro tô com projeto que desengavetei e coloquei na atividade o cria em movimento dança para gestantes, mães e bebês, apenas foquei nisso porque era um trabalho que era viável dentro dos meus anseios e desejos e que de quebra faz bem a mim e ao meu filho, pois ficamos juntos. Fiz essa escolha, pois se for pra trabalhar no horário padrão e gastar uma grana com creche, pois o governo não nos dá algo de qualidade e depois ir para pediatra e gastar com remédios e perder noites de sono com um bebê doente eu prefiro ficar com ele e viver com os cintos apertados em relação as despesas, acompanhar de perto cada passo, cada aprendizado, ser cúmplice de seu desenvolvimento. Pois como li uma vez eu serei mãe a vida inteira, mas meu filho só será bebê e criança uma vez só e passa muito rápido.



*este post faz parte da blogagem coletiva proposta pelo femmaterna com o intuito de criar uma ampla discussão sobre nosso modelo de vida e maternidade, deixei registrado meu relato desde a minha má conciliação, a não conciliação e atualmente os caminhos que busco, se você é uma mulher real e quer compartilhar sua relação de trabalho e maternidade escreva nos comentários com certeza estará ajudando outras mães.

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